O som, a audição e os objetos / Sound, hearing and the objects

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Quando vemos algo, não pensamos sobre o que vemos como um aspecto separável do objecto da visão, como uma pele fantasmagórica vertida para a nossa visão. Sentimos que podemos ver a coisa em si, ao invés de qualquer ocasião ou extrusão da coisa. Mas quando ouvimos alguma coisa, não temos a mesma sensação de ouvir a coisa em si. Isso ocorre porque os objetos não têm um único som invariante, ou voz. Como algo soa é, literalmente, contingente, dependendo do que toca ou entra em contacto com esse algo para gerar o som. Ouvimos, por assim dizer, o evento da coisa, não a coisa em si.

O som necessariamente parte da, separa-se da, sua origem, mas é muito raro que o faça de forma integral. Pensar o som como a “voz” do que soa não só é humanizar ou animar o mundo sonoro, atribuindo-lhe uma qualidade aristotélica de alma, mas é também pensar no som como propriedade da sua fonte, algo que emana essencialmente dela, em vez de ser uma descarga acidental a partir dela.

When we see something, we do not think of what we see as a separable aspect of it, a ghostly skin shed for our vision. We feel that we see the thing itself, rather than any occasion or extrusion of the thing. But when we hear something, we do not have the same sensation of hearing the thing itself. This is because objects do not have a single, invariant sound, or voice. How something sounds is literally contingent, depending upon what touches or comes into contact with it to generate the sound. We hear, as it were, the event of the thing, not the thing itself.

But if sound necessarily parts from, comes apart from, its source, it rarely does so completely. To think of sound as the “voice” of what sounds is not only to humanize or animate the sounding world, ascribing an Aristotelian quality of soul to it; it is also to think of the sound as owned by and emanating essentially from its source, rather than being accidental discharge from it.

Steven Connor (in Edison’s Teeth, in Hearing Cultures. Essays on Sound, Listening and Modernity, 2004)

 

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A cultura linguística da tribo Runa, de língua Quechua, privilegia o uso de ideofones [palavras que são representações vívidas de ideias, sensações ou impressões, através do seu som]. Através dos ideofones, os Runa ordenam um sentimento de partilha do “animado”, o que os alinha com o mundo da vida não-humana. O som é a forma ideal para a expressão deste alinhamento porque o som apenas é possível quando há movimento e o movimento de qualquer tipo é o critério prototípico para o que é animado.

The linguistic culture of Quechua-speaking Runa privileges the use of ideophones [words that are vivid representations of ideas, sensations or impressions through their sound]. Through ideophones, Runa enact a sentiment of shared animateness that aligns them with the nonhuman life-world. Sound is the perfect medium for the expression of this alignment because sound is possible only when there is movement, and movement of any kind is the prototypical criterion for animateness.

Janis B. Nuckolls  (in Language in Nature in Sound Alligment, in Hearing Cultures. Essays on Sound, Listening and Modernity, 2004)

 

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Novos Materialismos / New Materialisms #2

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O problema real com o sujeito e o objeto não é a separação entre eles, as separações são colmatadas com bastante facilidade com aço, madeira ou com uma humilde cola-tudo. Em vez disso, o verdadeiro problema é que o ser humano e o mundo são tidos como os dois ingredientes fundamentais a serem identificados em qualquer situação. Daqui resulta que a relação entre os seres humanos e as maçãs se presume ser filosoficamente mais importante do que as relações entre maçãs e árvores, maçãs e luz do sol, ou maçãs e vento. (…) No entanto, o duelo comovente ou casamento entre um objeto e sujeito não é fundamental. Muito mais profunda é a tripla interação entre um objeto e seus acidentes, relações e qualidades.

The real problem with subject and object is not the gap between them; gaps are bridged easily enough with steel, wood, or humble Elmer’s glue. Instead, the real problem is that human and world are taken as the two fundamental ingredients that must be found in any situation. As a result, the relation between humans and apples is assumed to be philosophically more significant than relations between apples and trees, apples and sunlight, or apples and wind. (…) Yet the heartrending duel or marriage between an object and subject is not fundamental. Far deeper is the triple interplay between an object and its accidents, relations, and qualities.

Graham Harman, Towards Speculative Realism. Essays and Lectures, 2009.

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Andrea Neumann & Sabine Ercklentz. Pioneirinnen der Klangforschung [Pioneiras da Investigação do Som], no blogue Mais Crítica

“Femmes savantes” em exploração sonora

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Para Andrea Neumann e Sabine Ercklentz, , músicas experimentais e performers sediadas em Berlim, os seus instrumentos não são simples dispositivos mediadores entre o corpo e o som, mas prolongamentos corporais ou superfícies onde o corpo penetra e, neles, se torna agente. O som não é somente a devolução do sopro, no caso do trompete de Sabine, nem do toque, no piano desmantelado de Andrea. Há uma expressão performativa do corpo no espaço, do corpo nos instrumentos e da tecnologia a subverter qualquer certeza do que presenciamos.

Esta contaminação entre a (i)materialidade do corpo, som, objectos e tecnologia instala este evento, confortavelmente, no ciclo Matérias Vitais, a decorrer no Museu de Serralves, no Porto.

Um evento tripartido: solo de Sabine Ercklentz (trompete, electrónica), solo de Andrea Neumann (piano desmantelado, electrónica), seguido da projecção do filme “Pioneirinnen der Klangforschung” [Pioneiras da Investigação Sonora] – projecto de vídeo em colaboração com a fotógrafa Anja Weber, musicado ao vivo pela dupla.

No primeiro momento, estão dispostos vários e diferentes amplificadores sonoros numa extremidade da sala multiusos. Com o trompete, Sabine Ercklentz deambula pelo espaço e improvisa sons, ruídos, grunhidos e sussurros. Interage com os amplificadores e com o som manipulado que emitem, altera o seu posicionamento e direcção, modelando os cheios, os vazios e o espaço-entre que o som produz.

Num segundo momento, Andrea Neumann opera o seu piano desmantelado (versão desconstruída do piano preparado de John Cage), colocando objectos entre as cordas, improvisando paisagens electro-acústicas metálicas, abstractas e, por vezes, estranhamente familiares. O seu corpo inicia movimentos subtis: o acento de um ombro, a oscilação do tronco ou da cabeça e, desconcertados, apercebemo-nos que é o movimento do corpo o agente sonoro, mediado por imperceptíveis ligações electrónicas.

No final, as artistas musicam o filme “Pioneirinnen der Klangforschung” no qual abordam, não sem ironia, o imaginário idílico do homem (neste caso mulher) modernista, pioneiro(a) na exploração da natureza e, com um piscar de olhos, satirizam a comparação ingénua e frequente entre a sua música e os sons da paisagem. No filme, a androgenia de Sabine e Andrea recordam-nos figuras femininas do modernismo do século XX, nomeadamente, a escritora e fotógrafa Annemarie Schwarzenbach. Ainda, o cenário do filme poderia bem ser o habitat natural de comunidades contra-cultura da época, como a colónia Monte Veritá, onde intelectuais e artistas partilhavam projectos sociais, artísticos e relacionais alternativos.

Sabine e Andrea, cada uma com uma escultura cónica auditiva, exploram a paisagem na prospecção íntima das suas sonoridades e ruídos. Não se tratará aqui de um apologia da imersão sonora do homem numa natureza (perdida) mas, ao invés, uma sátira de duas “femmes savantes” que, em cenário idílico e mediadas por dispositivos auditivos, reiteram a contaminação inescapável do homem e da tecnologia na sua relação com o mundo.

Alexandra Balona

(Texto elaborado no contexto da colaboração do ciclo Matérias Vitais com o Mais Crítica.)

imagem: Filipe Braga

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Akio Suzuki & David Maranha no P3, pelo Mais Crítica #2

Akio Suzuki & David Maranha: Xamãs contemporâneos

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Juntos e cúmplices na linguagem sonora, Akio Suzuki & David Maranha iniciam uma viagem sem destino, intuitiva, vagueando ao sabor dos ruídos que improvisam.

A Natureza nunca se apresenta absolutamente silenciosa: brisa, borboleta, voo, pássaro, rio, onda, chuva, trovão, luz, lua, folha, rocha, montanha… O que dela escutamos? Em que cremos quando penetramos no seu holismo musical?

Integrada no ciclo Matérias Viatis, esta performance sem nome surge da colaboração entre o japonês Akio Suzuki — figura incontornável da performance e experimentação do som desde inícios dos anos sessenta e David Maranha — um dos pioneiros da música experimental portuguesa. Juntos e cúmplices na linguagem sonora, iniciam uma viagem sem destino, intuitiva, vagueando ao sabor dos ruídos que improvisam.

O parque de estacionamento do Museu de Arte Contemporânea de Serralves é o lugar escolhido para o segundo encontro com o público. Espaço frio, acanhado e cinzento, de onde se recorta (como convém ao arquitecto Álvaro Siza) uma entrada de luz e o verde dos arbustos exteriores. Desde a entrada, enquanto os espectadores ocupam o espaço em círculo, Suzuki toca uma flauta artesanal, movimentando-se em passos lentos. A paisagem é aquecida pelo som das batidas do tambor xamânico de Maranha que reverbera pelo ar, penetrando a matéria dos corpos que vibram com ele. Associa-se ao ritmo físico interno, da terra, que é o do bater do coração e que antecipa uma espécie de ritual ancestral.

A paisagem é também visual, mesmo aos que fecham os olhos para que seja imaginada. Com Suzuki, na sua postura enraizada ou balançada, na gestualidade fina, mas precisa, manifesta-se, quase sem equívocos, a origem xintoísta. Trata-se da expressão e celebração do divino copulando o céu e a terra como culto dos kami. A presença e permanência serena do performer associa-se à manipulação contínua dos instrumentos que o próprio constrói: a flauta substitui uma pedra-flauta herdada e perdida algures pela Europa; o Analapos, criado nos anos setenta e composto por dois cilindros metálicos unidos por um cabo espiralado, propaga ecos acústicos e De Koolmees, uma estrutura onde estão suspensos tubos ocos em vidro, produz um som agudo e melodioso. Suzuki pertence às vanguardas dos movimentos Fluxus e Gutai que reiteraram uma nova relação com os materiais inertes e suas potencialidades. E isso reflecte-se, tal como em Maranha, no diálogo introspetivo que realizam com aqueles objectos. A repetição hipnótica dos sons e seus rumores transmite uma sensação de embalo. Porque afinal a paisagem musical é uma partitura livre que desenha a ligação aos quatro elementos vitais que claramente vamos identificando — Ar, Terra, Fogo, Água.

No final, os músicos recolhem-se do público rumo à entrada exterior. As palmas surgem pausadas mas ininterruptas nos corpos entorpecidos e aterrados da viagem. Akio Suzuki & David Maranha tornaram-se ali xamãs contemporâneos, visionários de uma conexão orgânica primordial sugerida pela abstracção da música. E lá fora, no dia escuro, um pássaro cantou.

Rita Xavier Monteiro

(Texto elaborado no contexto da colaboração do ciclo Matérias Vitais com o Mais Crítica, publicado no P3)

Fotos: Silvana Torrinha

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Akio Suzuki & David Maranha no P3, pelo Mais Crítica #1

Ecos cósmicos nos jardins de Serralves

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Akio Suzuki e David Maranha, catalizadores de uma energia vital, devolveram-na ao público em deambulações sonoras iniciáticas, travessias minimais e ecos xamanísticos.

Homem-xamã, Homem-natureza, Homem-sonoro, o artista japonês Akio Suzuki, e o incontornável músico experimental português David Maranha improvisaram, no dia 15 de Junho, uma travessia acústica nocturna, conduzindo o público pelos jardins da Casa de Serralves até ao interior do edifício, no Porto.

Integrado no Ciclo Matérias Vitais, este evento desviou o espectador da habitual relação visual com o mundo para, através do som, ampliar sensorialmente a percepção do espaço, os ecos que emanam dos objectos, o som vivo que se propaga da matéria. Noite densa, e o público segue no escuro o som fluído de um instrumento de sopro, a pedra-flauta de Suzuki (instrumento primitivo xintoísta, cujos orifícios de sopro resultam de acidentes naturais — arquétipo da fusão homem-natureza-arte que funda a obra de Akio), e o ritmo abafado da percussão de Maranha no seu frame drum (próximo do Daf, instrumento ancestral de origem persa, encontra no adufe português um parente próximo). A ressonância líquida da água que cai, ininterruptamente, pauta o cenário acústico no jardim, enquanto David Maranha agarra o saibro do chão e, em queda, o faz ressoar na pele do frame drum.

Já no interior da Casa de Serralves, Akio opera instrumentos por ele criados: o Analapos, instrumento de ecos (dois cilindros metálicos unidos entre si por uma longa mola em espiral que, activada pela voz ou pelo toque, cria ecos acústicos), e o De Koolmees (marimba com tubos de vidro suspensos), sonoplastia que compõe com outros objectos vulgares dispostos no chão.

Negociando com as sonoridades secas e os ritmos extáticos do frame drum e, em seguida, com os sons magnéticos e minimais do órgão hammond de Maranha, Akio improvisa ecos no Analapos que reverberam em paisagens místicas, sonoridades límpidas com o De Koolmees, intercaladas com delicados toques percussivos com pedras e recos em madeira.

A Casa de Serralves foi habitat de uma experiência intimista e misteriosa, paradoxalmente familiar também, pelos sons e ruídos evocatórios de uma proximidade ancestral com a natureza. Akio Suzuki e David Maranha, catalizadores dessa energia vital, devolveram-na ao público em deambulações sonoras iniciáticas, travessias minimais, redutos longínquos, ecos xamanísticos.

Com um trajecto artístico de mais de quatro décadas, tangente ao movimento Fluxus, Akio Suzuki, a partir da década de setenta, derivou a sua arena experimental para uma escuta atenta e auto-didacta da natureza. De Tokyo para Tango, próximo de Kyoto, o artista procurou depurar o seu sentido sonoro e encontrou o fascínio meditativo nos ecos e no real-life noise.

Segundo o xintoísmo, espiritualidade tradicional japonesa que honra o culto à natureza e aos espíritos Kami, não existe uma fractura entre os humanos, a natureza e estas divindades, partilhando a mesma energia relacional. Também Suzuki e Maranha orquestraram, por instantes, um encontro sonoro cósmico entre o espectador e a simplicidade inefável da natureza, à qual, afinal, sempre regressamos.

Alexandra Balona

(Texto elaborado no contexto da colaboração do ciclo Matérias Vitais com o blog Mais Crítica, pub  licado no P3)

Foto: Filipe Braga

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A pedra-flauta de Akio Suzuki

“Parece que a nossa casa de família esteve, no passado, envolvida em rituais xintoístas e possuíamos uma pedra-flauta que aparentemente nos foi passada em segredo.

Creio que, nos tempos em que os sinos de metal e outros instrumentos xamanísticos foram destruídos, um destino semelhante ameaçou a nossa pedra-flauta. Reza a história que foi recolhida algures perto de Kamijima (“A Ilha dos Deuses”) na Baía de Ise, e que os buracos cavados naturalmente devido à erosão por bivalves e outros factores desta ordem eram usados como bocal e chaves (os orifícios tapados pelos dedos) tal como foram encontrados.

Uma vez que foi passada de geração em geração na nossa família, tenho dentro de mim as sementes dos antepassados que tocaram nesta flauta.

… decidi tentar traçar o seu “percurso genético”. Há a possibilidade de que memórias de sons ancestrais estejam contidas em mim. Misteriosamente, quando toco a flauta, sinto que posso flutuar para traz no tempo e ouvir as reverberações desses tempos antigos.”

 

“Our house (Ehime Prefecture) seems to have been involved in Shinto rituals in the past and we possessed a stone flute that apparently passed down to us in secret.

I believe that, in the time when metal bells and other shamanistic instruments were destroyed, a similar fate threatened our stone flute. According to the story, it was apparantly picked up somewhere around Kamijima “Island of the Gods”) in Ise Bay, and the holes that had been worn away naturally due to erosion by clams and other such sources were used as the mouthpiece and fingerholes just as they were.

Because this was passed down within our familiy throughout the generations, I contain within me the seeds of ancestors who actually touched this stone.

… I decided to try tracing the genetic “path”. It might be that teh memories of ancient sounds are contained within me. Mysteriously, when I play the flute, I feel as if I can flow back in time and hear the reverberations of those ancient days.”

 

Akio Suzuki

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A pedra-flauta perdeu-se numa viagem de Suzuki pela Europa em 2005. Das últimas vezes que se ouviram os seus sons produzidos pelas mãos de Suzuki foi exactamente no Porto nos concertos que este artista realizou em Serralves.
Suzuki fez circular anúncios oferecendo 1000 euros a quem a encontrasse e lhe devolvesse a pedra-flauta.

The stone flute was lost in 2005 while Suzuki was touring Europe. One of the last times its sounds were heard on the hands of Suzuki was in Porto, in the concerts he then gave in Serralves.

Suzuki published adverts offering 1000 euros to who would find the stone flute and return it to him.

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Novos Materialismos / New Materialisms #1

(…)

“Conceber a matéria como possuindo os seus próprios modos de auto-transformação, auto-organização e direcionamento, e, portanto, não mais como simplesmente passiva ou inerte, perturba a acepção convencional de que os agentes são exclusivamente os humanos possuidores das habilidades cognitivas, intencionalidade e liberdade para fazer decisões autónomas, e a presunção corolário de que os seres humanos têm o direito ou a capacidade de dominar a natureza. Em vez disso, a espécie humana é reposicionada no interior de um ambiente natural cujas forças materiais manifestam certas capacidades de agenciamento e em que o território de efeitos indesejados ou inesperados é consideravelmente alargado. Aqui, a matéria não é mais imaginada como uma plenitude, maciça e opaca, mas é reconhecida como lugar indeterminado, formando-se e reformando-se constantemente e de maneiras inesperadas. Pode-se concluir, portanto, que “a matéria torna-se” em vez de de “a matéria é”. (…)

(…)

Conceiving matter as possessing its own modes of self-transformation, self-organization, and directedness, and thus no longer as simply passive or inert, disturbs the conventional sense that agents are exclusively human who possess the cognitive abilities, intentionality, and freedom to make autonomous decisions and the corollary presumption that humans have the right or ability to master nature. Instead, the human species is being relocated within a natural environment whose material forces themselves manifest certain agentic capacities and in which the domain of unintended or unanticipated effects is considerably broadened. Matter is no longer imagined here as a massive, opaque plenitude but is recognized instead as indeterminate, constantly forming and reforming in unexpected ways. one could conclude, accordingly, that “matter becomes” rather than that “matter is”. (…)

Diana Coole e Samantha Frost  in “Introducing the New Materialisms”, “New Materialisms. Ontology, Agency and Politics” , Duke University Press, 2010

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